SAUDADES DO QUIXADÁ
Manoel Dias da Fonsêca Neto
Membro da Academia Quixadaense de Letras
"Ai que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"
Cassimiro de Abreu
Ah! Que saudades que tenho
Das terras do Quixadá,
Das fogueiras de São João,
Da fazenda Propiá!
Lá no Belo Horizonte
Brinquei até enjoar.
O cruzeiro, um belo monte
De pedra pra se escalar!
De noite as brincadeiras,
Se tinha lua a brilhar,
Pula corda, que canseira,
Cirandinha e cirandá.
Olha "passarin" no ninho,
Olha a cobra no buraco,
Pega-pega e corre assim.
Lá vai chicote queimado!
Boca de forno é forno,
Jacarandá se eu mandar,
Corre se não te carimbo,
Três, três e passarás!
Brincadeira do anel,
Pula macaca ligeiro,
Recebe um pote de mel
Quem me abraçar primeiro!
Jogar triângulo no chão,
Fazer arraia voar,
Brincar de bila e pião,
Balanço e peteca no ar!
Ai que saudades que tenho
Da charrete e do pretinho,
Do Veludo e por que não?
Do Aleixo e do Zé Doidinho!
De comer siriguela,
De tomar banho no Herval,
Me dá um nó na goela
De lembranças sem igual!
O Cedro, que belezura,
Com sua galinha pomposa,
Que choca com m ui ternura
Ovos de Pedra, garbosa!
Me lembro da padaria,
Do pão gostoso e quentinho
D.Rocilda que alegria
Sempre com o seu Manelzinho!

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