O escritor dos mares
Faz uma semana que estou lendo ''Chão de Mínimos
Amantes'' (1961) do quixadaense Moacir C. Lopes. Logo depois vou iniciar do
mesmo autor a leitura de ''Maria de Cada Porto'' (1959), e, de antemão repasso
para quem quiser adquirir as obras do escritor do Mares, como é conhecido o
ex-marinheiro Moacir – muito embora tenha nascido no sertão, e sua obra não
caiba em rótulos - a dica que no sebo da
estante virtual (www.estantevirtual.com.br) encontra-se facilmente toda obra
dele a preço de banana como costumava-se dizer antigamente - é claro, que isso dizia-se
antes da invenção dessa tal de inflação.
Na verdade não lembro bem quem me apresentou a literatura de Moacir C.
Lopes, se foi um professor, ou ainda um amigo, sei que me interessei por
conhecer seu trabalho quando soube que o mesmo era autor de “A Ostra e o Vento”
(1974), livro consagrado pela critica (nacional e estrangeira) que acabou
virando filme pelas lentes de Walter Lima Junior, com música homônima de ninguém
menos que Chico Buarque, que eu, buarqueano de carteirinha já conhecia, mas não
sabia, no caso dessa canção especificamente da relação com a obra de Moacir.
Tempos depois para minha surpresa maior, o gosto por devorar a obra de tal
autor cresceu quando pesquisando sobre a literatura que envolve Antônio
Conselheiro e Canudos, na Biblioteca Pública Ismael Pordeus, de Quixeramobim,
deparei-me com o volume do romance “A Ressurreição de Antônio Conselheiro e
seus 12 apóstolos” (2007), também assinado por Moacir C. Lopes, demonstrando
assim, a versatilidade desse valoroso homem de letras, que tem ainda no currículo
uma minibiografia do imperador romano Calígula, dentre outras publicações relevantes,
das quais se insurge o estudo “A situação do Escritor e do Livro no Brasil”
(1977).
Bom, tomo como motivo de alegria e orgulho que um nome desse quilate e qualidade literária, representante honrosamente a língua portuguesa, e seja muito estudado, e, valorizado fora de seu país de origem, destaco, por exemplo, que nos Estados Unidos existam várias publicações e estudos a respeito do trabalho de Moacir C. Lopes. Porém, é dez vezes mais triste constatar que o mesmo, seja na verdade um ilustre desconhecido no seu próprio quintal (Quixadá, Ceará e Brasil). O caso é que, de fato ''é preciso conhecer pra gostar... '', como me disse certa vez o também escritor quixadaense João Eudes Costa, que teve seu romance ''Escravos da Terra Seca'' (2004) prefaciado por Moacir, que era seu parente.
Hoje eu não tenho dúvida da veracidade das palavras de
João Eudes Costa, pois quanto mais conheço a literatura do escritor dos Mares,
mais aumenta em mim o gosto por perder-se nas profundezas oceânicas de seus
personagens.
Bruno Paulino é autor de “Lá nas Marinheiras e outras
crônicas’’ e membro da Academia Quixadaense de Letras.
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