segunda-feira, 15 de abril de 2013

CORRER RISCOS...



“Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que te admires,durante toda a vida se deve aprender a morrer” 

Sêneca é um dos filósofos romanos mais conhecidos. 
Compreensível.
Foi conselheiro de Calígula, banido por Cláudio, preceptor de Nero.
Estóico, grande frasista, o sábio teve uma vida fascinante; oscilou do luxo à miséria, da glória à sentença de traição, até que Nero ordenou a ele o suicídio.
Sêneca obedeceu. Abriu as próprias veias, mas, como o sangue demorasse a correr, pediu veneno. Só morreu, porém, muito mais tarde, sufocado entre vapores.
Além de fascinar seus contemporâneos, Sêneca influenciou muitos que vieram depois. É possível ver ecos de suas palavras em vários e grandes filósofos que o sucederam nos mais variados campos, como Tomás de Aquino, Rúbens (autor do quadro reproduzido acima), Racine e Sigmund Freud entre outros.
Infelizmente, ao que parece, a ressonância descambou também para o vulgo que Sêneca tanto desprezava, para o simplismo dos “milagreiros” e o uso descaracterizado em forma de auto-ajuda, tendência que Petrônio, há séculos, havia detectado.
Muitos diluem o sentido da sua obra em uma espécie de filosofia paliativa, cujo único objetivo fosse ajudar os seus próximos a extinguir a dor do espírito ou pelo menos amenizá-la.

Transformam a simplicidade das propostas (de Sêneca) em superficialidades, e o caráter mais profundo da filosofia, em um auxílio a desamparados de todas as latitudes.
É dele essa pérola do pensamento humano sobre correr os riscos .

"Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de envolver-se.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de decepcionar-se.
Tentar é correr o risco de fracassar.

Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é nada arriscar.
Há pessoas que não correm riscos, nada fazem, nada têm e nada são.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas nada conseguem, nada sentem, nada mudam e não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, viram escravas e se privam da liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre! "

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