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terça-feira, 21 de maio de 2013

A HISTÓRIA DOS DITADOS POPULARES


As Histórias dos Ditados Populares

Veja algumas curiosidades. Expressões populares, usadas ingenuamente por nós, têm origens bem antigas e histórias interessantes.
Vários são os ditados provindos da mitologia grega:
CALCANHAR DE AQUILES
A mãe de Aquiles, Tétis, com o objetivo de tornar seu filho invulnerável, mergulhou-o num lago mágico, segurando o filho pelos calcanhares. Páris feriu Aquiles na Guerra de Tróia justamente onde, isso mesmo, no calcanhar.
Portanto, o ponto fraco ou vulnerável de um indivíduo, por metáfora, é o calcanhar de Aquiles.
VOTO DE MINERVA
Orestes, filho de Clitemnestra, é acusado do assassinato da mãe. No julgamento, houve empate. Coube a deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu.
Voto de Minerva é o voto decisivo.
Depois da mãe de Aquiles, vamos a outras mães.
CASA DA MÃE JOANA
Na época do Brasil Império, mais especificamente na época da minoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro cuja proprietária era justamente a Joana.
Como eles mandavam e desmandavam no país, ficou a frase casa da mãe Joana como sinônimo de lugar em que ninguém manda.
A MÃE DO BADANHA
De origem controvertida. O pessoal do futebol atribui a um tal de Badanha, jogador do Internacional. Mas existem várias versões. Será que o internauta conhece alguma?

Agora é a vez das religiosas

CONTO DO VIGÁRIO
Duas igrejas em Ouro Preto receberam um presente: uma imagem de santa.
Para verificar qual da paróquias ficaria com o presente, os vigários resolveram deixar por conta da mão divina, ou melhor, das patas de um burro.
Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, colocaram o tal burro, para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja felizarda.
Assim foi feito, e o vigário vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa.
Mas ficou-se sabendo mais tarde que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora.
Assim, conto do vigário passou à linguagem popular como falcatrua, sacanagem.
FICAR A VER NAVIOS - HISTÓRIAS DE PORTUGAL
O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir, mas o corpo não foi encontrado. A partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador.
Lembremos que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal. A conseqüência dessa crise foi a anexação de Portugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II. Evidentemente, os portugueses sonhavam com o retorno do rei, como forma salvadora de resgatar o orgulho e a dignidade da pátria lusa. Em função disso, o povo passou a visitar com freqüência o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, esperando, ansiosamente, o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver navios. Várias piadas são provenientes deste ditado. Uma delas faz graça do casamento de Jaqueline com Onássis, grande construtor de navios. Na lua de mel, Jaqueline teria ficado diante da janela do quarto, e Onásis dizendo-lhe os nomes dos navios atracados no porto. Logo, na lua de mel, ela ficou apenas a ver navios, como o povo português.
É importante frisar também que a morte de Dom Sebastião inaugura o sebastianismo, que se trata simplesmente disto: a chegada do salvador. Várias crenças advêm daí. Entre elas podemos destacar a guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro.
NÃO ENTENDO PATAVINAS
Os portugueses, conta a história, tinham dificuldades em entender o que diziam os frades franciscanos patavinos, isto é, originários de Pádua, em italiano Padova.
Não entender patavina significa não entender nada.
DOURAR A PÍLULA
Vem das farmácias que, antigamente, embrulhavam as pílulas em requintados papéis, para dar melhor aparência ao amargo remédio.
Logo, dourar a pílula é melhorar a aparência de algo.
CHEGAR DE MÃOS ABANANDO
Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra.
Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem.
Portanto, chagar de mãos abanando é não carregar nada. Ele chegou de mãos abanando ao aniversário.
Significa que não trouxe presente ao pobre aniversariante, que terá de se satisfazer apenas com a presença do amigo.

SEM EIRA NEM BEIRA
O cidadão não tem eira nem beira. Isso quer dizer que o indivíduo está sem dinheiro, desapercebido.
Pois eira, na verdade, tratava-se de um detalhe no acabamento dos telhados de antigamente.
Possuir a eira e a beira era sinal de riqueza e de cultura.
Os tempos passaram, no entanto sempre os homens buscam revelar sinais externos de poder e riqueza.
É claro que hoje os acabamentos nos telhados não significam muito. Talvez o maior sinal exterior de riqueza seja o automóvel.
Se for um importado, está com tudo em cima.
Se for uma brasília, bom, aí o cara está sem eira nem beira.
A regra se bota na boca do saco
A história desse ditado popular é contada saborosamente por Câmara Cascudo em seu livro Superstições no Brasil.
Pois um rapaz rico, de boa educação, resolveu casar com uma garota muito bonita. Foi pedir a mão dela ao pai, que já foi lhe avisando que o gênio da moça bonita era o mesmo do da mãe: terrível. A tal guria era boa em coisas de forno, em arrumação de casa, em prendas domésticas de um modo geral, mas o temperamento ! Era brabo o negócio.
Apesar dos avisos, o rapaz rico insistiu no casamento. Na noite de núpcias, os noivos deitaram. O noivo gritou para o candeeiro que apagasse. Mas o candeeiro continuou aceso. Ele não teve dúvidas: sacou o revólver e apagou a luz à bala. Macho é macho. Lá pela meia-noite, o galo resolveu cantar. O rapaz foi até o pátio e trouxe o bichano atravessado numa espada.
No dia seguinte, a noiva era outra pessoa, meiga, atenciosa e caprichosa com seu homem. O pai, percebendo a mudança, quis saber o que o noivo fez. Ao ficar sabendo dos detalhes da noite de núpcias, o pai resolver fazer o mesmo com sua mulher.
Na noite, gritou ao candeeiro que apagasse. Tentou dar o tal tiro, mas o mulher tirou o revólver de sua mão. O galo resolveu cantar à meia-noite. O homem pegou a espada e se preparou para ir ao pátio, mas a mulher o impediu.
Ela olhou bem para o marido e disse: "A regra se bota na boca do saco. Mata-se o galo na primeira noite e não no fim da vida."
E tudo continuou como antes.
Ricardo Russo

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